APAAE apresenta estudo sobre abandono de animais

Sensibilização e informação são armas de luta

A Associação de Protecção e Apoio ao Animal Errante (APAAE) apresentou, no dia 3 de Abril, os resultados do Primeiro Estudo Sobre o Abandono de Animais no concelho de Castelo Branco, um trabalho pioneiro em território nacional que tem vindo a servir de exemplo para cerca de 16 municípios portugueses

O estudo levado a cabo pela APAAE, ao longo de sete anos, foi realizado com base nas estatísticas relativas aos animais que passaram pelo Parque Municipal de Bem-Estar Animal de Castelo Branco.

Rosário Almeida, presidente da direcção da APAAE, explica que o principal objectivo deste estudo é contribuir para a resolução da problemática do abandono de animais, caracterizando a situação no concelho de Castelo Branco, o que permite também apontar caminhos concretos para uma intervenção mais direccionada.

A análise dos dados disponíveis permitiu à APPAE concluir que o abandono de animais é diferente nos meios rurais e nos meios urbanos.

As pessoas que abandonam animais têm, normalmente, baixa formação académica

As pessoas que abandonam animais têm, normalmente, baixa formação académica

Principais conclusões

Nas aldeias, o abandono sofreu um acréscimo enquanto que nas cidades se verificou o contrário.

A APAAE estima que o aumento do abandono nos meios rurais se deve ao facto de os residentes dos meios urbanos vão abandonar os animais próximo de povoações na esperança de que aí os acolham. Já a diminuição nos meios urbanos, deve-se, provavelmente, aos efeitos de uma circulação de informação.

Em ambos os meios, a raça dos cães abandonados tem a mesma hierarquia: em primeiro lugar, surgem os animais de raça indefinida, seguindo-se o cão tipo podengo e, em terceiro lugar, os animais de raça definida.

Na generalidade, 78 por cento são fêmeas entre os seis meses e um ano. Cerca de 81 por cento são cães e apenas 19 por cento são gatos. A discrepância explica-se pela maior autonomia e independência dos gatos.

O estudo conclui ainda que os caçadores são os principais perpretadores do abandono, seja porque o os animais demonstraram fraca aptidão para a caça, porque se perderam, porque estão velhos e doentes ou porque têm animais em excesso e não conseguem sustentá-los.

No entanto, Rosário Almeida adianta que, no último ano, o abandono por caçadores diminuiu drasticamente devido à chipagem, que permite encontrar os donos com maior facilidade.

Supõe-se que a doença do animal, a pressão de vizinhos ou do condomínio, o tamanho, o receio infundado de transmissão de doenças e o facto de não servir para caça são as principais razões que contribuem para o abandono. No caso dos gatos, as alergias e a danificação de móveis ou cortinados são os principais motivos.

Segundo o estudo efectuado pela APAAE, as pessoas que abandonam animais têm, normalmente, idades compreendidas entre 35 e 65 anos com baixa formação académica.

Pode ter uma situação financeira confortável e, em meio urbano, habitam frequentemente um apartamento. Apesar de acontecer um pouco ao longo de todo o ano, o abandono de animais tem picos, tanto nos meios rurais como nos urbanos, nomeadamente, no final da época de caça e na altura das férias do verão (sobretudo entre 15 de Julho a 20 de Agosto).

A presidente da APAAE lembra que o Parque de Bem-Estar Animal de Castelo Branco possui um serviço de hotel onde as pessoas podem deixar os animais enquanto gozam as férias. Rosário Almeida acredita mesmo que este ano, o serviço vai disparar.

Adopção de animais

Os números da APAAE
  • 240 - Número médio de animais recebidos, por ano, no Parque de Bem-Estar Animal de Castelo Branco.
  • 14 - Número médio de animais (cães) resgatados, por ano, pelos respectivos donos, de onde se conclui que a maior parte dos animais está abandonada e não perdida.
  • 192 - Número médio de adopções (cães) por ano.
  • 3.020 - Número médio de visitantes por ano.

Refira-se que nos últimos tempos, os números atrás referidos sofreram um crescimento significativo, devido, em parte, à divulgação do Parque de Bem-Estar Animal de Castelo Branco promovido pela comunicação social.

Depois dos Cockers, dos Caniches, tipo polares, Rotweillers, os Terriers e. os Labradores são, actualmente, as raças mais procuradas para adopção. Ou seja, variam com as modas do momento, sendo que nas cidades há uma grande preferência por animais que tenham uma raça definida.

Normalmente, quem recorre à adopção tem entre 24 e 65 anos e cerca de 70 por cento são senhoras que possuem casa com quintal, jardim` ou terraço.

Por regra, não é o primeiro animal que quer adquirir. Não costumam ser pessoas abastadas e não possuem nenhum grau académico.

Cerca de 70 por cento prefere machos e de raça canina. Quase todos os candidatos procuram cachorrinhos e gatinhos bebés.

Os animais de pequeno porte são os mais procurados e, normalmente, os de grande porte são procurados para guarda de propriedades.

A cor menos escolhida é o preto.

Prioridades de intervenção

Depois de analisadas as conclusões, a APAAE concluiu é de fulcral importância sensibilizar os meios rurais, em particular, e a população em geral, para se retomar uma cultura de apoio e respeito aos animais e alertar que cada animal, enquanto ser vivo sensível e independente, tem um valor intrínseco, independentemente da sua raça.

Um animal vale pela personalidade que tem, pela amizade e dedicação incondicional que é capaz de dar ao dono e pela vida de que é o único proprietário e que nos cumpre preservar, lê-se no documento.

Por isso, a aquisição de um animal tem de ser encarada como a entrada de um novo membro para a família humana. Tem que ser ponderada, reflectida e para toda a vida.

Daí que seja também importante que a APAAE direccione a sua acção no sentido da informação e sensibilização para a defesa dos direitos dos animais, não podendo ficar apenas pela recolha, que deverá ser mais criteriosa do que impulsiva, evitando assim o risco de incentivar a posse irresponsável.

Por outro lado, a APAAE concluiu que tem de apostar numa gestão que promova a auto-sustentabilidade do Parque, o que lhe conferirá mais autonomia e possibilidades de oferecer um conforto crescente aos animais que o habitam.

Rosário Almeida explica ainda que o estudo tem algumas limitações, nomeadamente a quase inexistência de bibliografia sobre o assunto e o facto de o abandono e os maus tratos estigmatizarem, felizmente, quem os concretiza, o que traz adjacente alguma dificuldade em fazer as pessoas falar.

Andreia Gonçalves in Povo da Beira
(2006-04-11)

Adoptar
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Inquérito

Um inquérito da iniciativa da APAAE foi levado a cabo junto de todas as turmas do 12º ano das escolas de Castelo Branco, pelos respetivos Diretores de Turma, sobre o que estes jovens, pensam acerca da realização de touradas.
Revelou que 80% dos inquiridos são contrários à realização das mesmas.
Um número tão expressivo deverá fazer-nos refletir.

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