A acção veterinária como elo de ligação
entre os animais e as associações

Quando um médico se forma, faz o juramento de Hipócrates, juramento esse pelo qual se compromete a salvar o máximo de vidas, custe o que custar. Não sei se um veterinário, aquando formado, faz algum juramento e a quem…quanto a mim, ao não existir um juramento obrigatório, deveria, pelo menos, prometer a S. Francisco de Assis ou a qualquer outro santo da sua devoção, protector dos animais, que iria fazer o possível e o impossível para salvá-los e ajudá-los.

O meu sonho, desde criança, foi ser veterinária para tratar e salvar todos os animais que cruzassem o meu caminho; não pude infelizmente concretizar esse tão lindo sonho por não conseguir lidar com a morte deles e por não ter coragem para escortanhá-los em vida e estudá-los depois de mortos. No entanto, e apesar da minha frustração, alegro-me de já ter ajudado e até salvo bastantes animais durante os meus já um pouco longos anos de vida.

Não acredito pois, ou por outra, não quero de forma alguma acreditar por ser demasiado baixo, cruel e sádico que alguém escolha a carreira tão gratificante e digna como é a veterinária para abater a seu bel-prazer e com toda a impunidade que a profissão lhe permite e oferece, todos os animais que lhe aparecerem pela frente como forma de escape para todos os seus traumas e frustrações do dia-a-dia… Não quero acreditar, é verdade mas também é verdade que existem infelizmente bastantes casos destes em Portugal devidamente comprovados. Que outros nomes se lhes pode dar senão crueldade e sadismo às atitudes de veterinários que, se encontrando a gerir vários canis de abate deste país, se dedicam à eutanásia imediata e sistemática de cachorros que dão entrada naqueles antros de tortura e antesalas de morte??? Isto para já não mencionar todos aqueles pobres animais que tem a infelicidade de dar entrada num canil, sendo já velhos, doentes e/ou com algum defeito físico visível…

Eu e seguramente todos os voluntários que aqui se encontram e todas as associações aqui representadas hoje perguntamos: como é possível?? Como é possível, senhores veterinários terem coragem para abater diariamente, uma média de pelo menos 5-10 ou mais animais, como acontece nos canis de Lisboa e Porto, e, no final de um dia de trabalho, sairem depois descontraidamente, irem até ao shopping ver montras e/ou até comprar umas roupitas novas e mais tarde rumarem até casa, para fazerem ou ajudarem a preparar o jantar, dizerem que o dia lhe correu normal e agradavelmente, lerem para os filhos, ao deitar, a encantadora história da cadela Lassie ou as aventuras do gato das Botas, levarem o cãozinho da família à rua para fazer as suas necessidades nocturnas e, por fim, deitarem a cabeça no travesseiro, adormecendo descansadamente e sabendo que, no dia seguinte, outros tantos 5 ou 10 animais serão por eles abatidos…Como é possível?? É possível, sim e acontece todos os dias e todas as semanas de um ano…

Como conseguem ter coragem para abater animais que não pediram para nascer, que nunca fizeram mal a ninguém (muito pelo contrário…) que são vítimas das péssimas ou mesma nulas campanhas de esterilização e castração de errantes neste país à beira-mar estagnado e estupidificado , que foram maltratados, abusados, abandonados à sua sorte no meio de estradas, auto-estradas e também de nenhures?? Animais que, depois de todos estes traumas de maus-tratos e abandono, são capturados muitas vezes selvaticamente por individuos que nem merecem ser apelidados de bestas por ofender as ditas cujas e logo a seguir, enjaulados ou amarrados a curtíssimas correntes que não os deixam sequer chegar ao receptáculo de água (quando ele existe, claro) e muito menos à comida, quase sempre inexistente, já que todos eles se encontram no corredor da morte e há que fazer poupanças na alimentação para depois se poder gastar mais com os fornos crematórios…como é possível abater estes pobres animais sem o mínimo de compaixão por todo o seu sofrimento e sem lhes dar a alternativa de uma segunda oportunidade??

Como conseguem olhar os vossos filhos com a consciência tranquila e infundir-lhes regras de justiça e moral quando não fazem uso delas na vossa prática do dia-a-dia?? Como é possível terem a descontracção necessária (já para não lhe chamar outra coisa) de afirmarem publicamente num canal de televisão visto por milhões de portugueses que os canis deste país cumprem todos o requisitos de bem estar animal (só faltou foi chamar-lhes hoteis de luxo para animais), que não há em Portugal veterinários corruptos e sádicos e que o governo se preocupa imenso com os animais e que vai proceder a curto prazo à alteração das leis de defesa animal…Desculpem mas eu não me consigo conter: isto nada tem a ver com descontracção: é puro descaramento e é fazer de nós, verdadeiros amigos dos animais, autênticos parvos!!!

Isto já para não falar sobre todos aqueles veterinários que se encontram nos muitos matadouros deste país e que assistem diariamente ao abate quase nunca indolor e pacífico e nem sempre nas melhores condições de higiene e salubridade de centenas de animais que aí entram absolutamente aterrorizados, muitos deles feridos e até mutilados no transporte, berrando e chorando (sim porque os animais tambem choram, que haja um veterinário que me desminta visto que já outros mo afirmaram) enquanto caminham nos apertados corredores em direcção à morte, os filhos chamando pelas maes e as maes pelos filhos num completo e aterrador holocausto animal. Será possível que isto não os comova minimamente?? Será isto coragem ou antes frieza, insensibilidade, hipocrisia e cinismo??? Fica ao vosso critério encontrar o perfeito substantivo que defina estes sentimentos ou, então, a falta deles…

Estarei eu a ser lamechas ou piegas?? Talvez…Serei eu demasiado sensível?? Decerto que sim e com muito orgulho assim como o são todos os voluntários e representantes de associações hoje aqui reunidos e que estão seguramente de acordo comigo!! A quem diz que não acredita em Deus e que não existem anjos na Terra, eu respondo: olhem, contemplem e observem um animal, seja ele cão, gato ou até um simples pardal (que lindas e verdadeiras histórias que eu tinha para vos contar sobre pardais bébés que já salvei): eles dão-nos, enquanto vivos, alegria, amor e lealdade sem limites e, quando partem, deixam-nos uma ferida aberta no peito muito dificil ou impossivel de sarar e uma saudade infinita. Quem, senão Deus ou um Ente Superior com poder suficiente para colocar na Terra estes maravilhosos seres a que chamamos animais??

Hoje, perante todos aqui presentes eu APELO, não só aos veterinários que escolheram esta profissão por amor e devoção aos animais mas também áqueles que até agora se têm mantido numa posição de comodismo e conformismo por amor a um abundante saldo bancário no final de cada mês, que se unam, esquecendo eventuais quezílias e divergências, para auxiliar o voluntariado e as associações de ajuda animal.

Como poderão ajudar:

Por último e, caso tudo aquilo que eu acabei de referir não tenha servido para tocar minimamente os vossos corações médico-veterinários emperdernidos e alterar algumas mentalidades e comportamentos da vossa profissão, eu, como legal cidadã do meu país, fazendo descontos obrigatórios todos os meses para os fundos do Estado que financiam a desorganização e corrupção da grande maioria dos canis portugueses e pagam os ordenados dos veterinários que neles trabalham e os gerem, venho por este meio e aqui publicamente nao pedir mas sim exigir que honrem a profissão que escolheram e seguiram. Antigamente preferia-se morrer a deixar de honrar os compromissos assumidos e selavam-se os mesmos com um simples aperto de mão e uma palavra de honra; hoje, infelizmente, todos os compromissos têm de ser feitos por escrito já que a palavra honra se extinguiu quase por completo. Dignifiquem-na, pois, o máximo possível não só para benefício dos animais mas também para continuação da boa reputação da vossa especialidade. Lamento que as minhas palavras tenham ferido e até ofendido alguns de vós, especialmente aqueles que sempre honraram a sua profissão; a esses eu digo: não foi a vós que eu me dirigi e quem tem a consciência tranquila não se sente atingido. Porém, acreditem que quem se sente ainda mais ferido e ofendido somos todos nós, voluntários, que lutamos contra ventos, marés e veterinários insensíveis e tacanhos, para salvar diariamente o máximo possível de animais.

Áqueles que seguiram veterinária por amor à profissão e aos animais, o meu e, acredito também, o nosso BEM-HAJAM!!!

Um por todos os animais e todos por um animal!!!!

Margarida Neto
(2009-11-26)

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